sábado, 8 de setembro de 2012

Bolo de cenoura e seu habitat natural (I)

Fotos inéditas amadoras de bolos de cenoura flagrados em seu ambiente selvagem.


Bolo de cenoura 1

Bolo de cenoura 2

Bolo de cenoura 3

Bolo de cenoura 4

Bolo de cenoura 5

Bolo de cenoura 6

Bolo de cenoura 7

Bolo de cenoura 8

Bolo de cenoura 9

Bolo de cenoura 10


Bolo de cenoura 11

Bolo de cenoura 12

Bolo de cenoura 13



domingo, 18 de março de 2012

And the oscar goes to Eti

Uma das consequências de termos nos tornado pesquisadores de bolos de cenoura é receber pedidos de bolos de cenoura. São pedidos de amigos e familiares para eventos nos quais participamos. É uma consequência vantajosa, pois permite que poupemos verbas na contratação de focus groups ou institutos de pesquisa.

Há uns meses, realizamos experiências com a variação de proporção de açúcar e farinha nos bolos de cenoura. Um dos resultados secundários da produção das amostras de bolo foi o aumento de nossa capacidade de produzir bolos de bom aspecto. Entenda-se aqui bom aspecto como: a) crescimento e queima simétricos; e b) também uma boa tonalidade laranja.

E uma dessas amostras foi convidada a participar de um café da manhã de um grupo de amigos. Ela foi levada ao natural, sem cobertura. Foi deixada sobre uma grande mesa. Ficou exposta junto com outras gostosuras diversas levadas pelos participantes do evento. Havia geleias, pães, bolo de chocolate com cobertura e recheio, sucos, biscoitos, leite, café, bolo de laranja, geleia, pão de queijo, manteiga, bolo de coco, margarina, queijo, requeijão e por aí vai.

Uma questão foi  junto com a amostra: como será o consumo e a avaliação do bolo de cenoura pelos participantes?

O desempenho foi abaixo de outros bolos no quesito criança que passa correndo e fila alguma coisa da mesa e no quesito volume geral consumido. Bolos  com  cobertura de chocolate melequenta e doce de leite no recheio são um super trunfo.  Difícil de competir. Recebemos um elogio bastante sincero de um senhor. Contudo, todos sabiam de nosso trabalho de pesquisa. E dessa forma, as opiniões poderiam conter um forte viés de cordialidade.

Perto do final do evento, uma das participantes - que estava dormindo - acordou. A menor de iniciais M.X. (1,5) foi levada no colo do pai até a mesa ainda coçando os olhos. E a ela foi perguntado:

- Qual você quer minha filha? O papai pega para você.

A equipe de pesquisa, que estava por perto, preparando mais um pão e subtraindo mais um cookie com gotas de chocolate da mesa, parou. 

Ela olhou, lá de cima, de um canto ao outro da mesa. O bolo de chocolate, as geleias, biscoitos, muffins... O mundo naquele momento estava na ponta dos dedos dela. E eles ainda não tinham direção. Fenda no tempo, barulho de relógio, batidas do coração, expectativa. E ela apontou o dedo para a mesa.

- Eti

Apollo 11 retomou contato após a entrada na atmosfera, Houston comemorou efusivamente.  Parte da equipe se abraçou e dançou a mamuska,  outra parte entrou num cadillac conversível e dirigiu em alta velocidade pelas areias da praia gritando: "vento nos cabelos"! Apenas um membro da equipe de pesquisa permaneceu circunspecto* observando a reação da consumidora que, para a satisfação de todos, avaliou-se como tendo sido positiva.

(1,5) 1,5 é a idade da pessoa em questão, não uma observação

* O membro da equipe que não comemorou na hora afirma ter se sentido satisfeito e um pouco feliz, tanto é que até ouviu Volare 2x em casa enquanto bebia leite na sacada do apartamento.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O segredo do tchumtchumtchum


Em um sábado primaveril, próxima ao checkout de uma lojas de móveis usados,  a Sra. Bethe entregou o segredo do bolo de cenoura perfeito diante de um ajuntamento tumultuoso de mamíferos curiosos (1). Sra. Bethe, que há muitos anos habita no bairro de Higienópolis, é exímia cozinheira e narradora de processos culinários.

Segundo a Sra. Bethe, primeiro é precioso descascar 3 cenouras. Em seguida, reduzí-las a pedaços menores para o liquidificador dar conta. As cenouras devem ser assim ó (escala visual determinada pela distância entre a ponta dos indicadores estendidos que indica cenouras médias).

Agora tem que pegar uma xícara de óleo, mais uma de açúcar e três ovos. O óleo precisa ser de canola. E a pelinha do ovo deve ser tirada com a ponta do garfo para não dar cheiro de ovo no bolo.

O passo seguinte é bater tudo no liquidificador. Algumas pessoas preferem bater a clara separada da gema, para depois colocar em separado na massa. É para a massa ficar mais fofa, dizem por aí. Mas a Sra. Bethe disse não ser necessário.

Após bater no liquidificador, joga numa tigela. E então, põe três xícaras de farinha e uma colher de sopa de fermento. A colher de sopa de fermento não pode ser muito topetuda, é para ser igual barriguinha de grávida no começo, disse a Sra. Bethe.

Mexe tudo com colher de pau. Tem que ser colher de pau.

E agora sim o segredo mágico do bolo de cenoura! Segundo a Sra. Bethe, segredos mágicos são só pra quem pode, pois quem não pode com mandinga não carrega patuá (sic). Raspa a casca do limão ou da laranja – tchumtchumtchum – num ralador. Assim bem rapidinho, sem espaço entre um tchum e outro. Só a raspa da casca mesmo, não é o branquinho que fica por baixo da casca. Pode ser os dois juntos também, o limão e a laranja. Depois, é bater a raspa na massa com a colher de pau.

Aí joga na forma e PUM no forno.


 Recomendações adicionais:
  • Antes é preciso passar manteiga e farinha na forma. Sra. Bethe usa e recomenda um pincel.
  • E o forno, é preciso esquentar com tudo antes(2), liga no máximo. Quando for colocar a forma com a massa, baixa para 180ºC. O tempo de forno? Uns 40-50 minutos já está bom.


(1) Uma criança de 6 anos, um contador, a dona da loja, um cachorro e um gato. Os três primeiros da espécie humana segundo Carlos Lineu(3).

(2) Desambiguação: esquentar com tudo significa ligar com a potência máxima do forno. Não se trata de enfiar todos os equipamentos utilizados na elaboração da massa do bolo no forno antes de colocar a forma com a massa.

(3) Aquele da taxonomia, pai da classificação sistemática, conhecido nas ruas como Carolus Linnaeus.



Nota dos autores:
O texto continha em sua primeira versão muito mais oralidade para ser fiel ao diálogo. No entanto, fomos cerceados e compelidos - por corretores compulsivos e virginianos - a utilizar um pouco mais de norma culta.
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